Órgãos ambientais não monitoram mortandade de animais silvestres em valas de irrigação

Equipe Fiquem Sabendo

Publicado em: 11/03/2025

Atualizado em: 26/02/2026

Órgãos ambientais não monitoram mortandade de animais silvestres em valas de irrigação

Afogamentos letais de animais em canais de irrigação são um problema invisível no Brasil. Não há estatísticas oficiais do governo federal sobre a magnitude do impacto na fauna nativa. Para investigar essa lacuna, a Fiquem Sabendo (FS) realizou um levantamento exclusivo em parceria com ((o))eco, reunindo dados de órgãos ambientais federais e estaduais através da Lei de Acesso à Informação (LAI). O estudo que embasou a série especial de reportagens Massacre Invisível, publicada no último dia 4, confirma um cenário de omissão e ausência de políticas públicas para enfrentar a questão.

A série especial contou com o apoio da Proteção Animal Mundial no Brasil e foi elaborada com a reportagem de Aldem Bourscheit, ilustrações de Gabriela Güllich e assessoria especializada da Fiquem Sabendo para acesso e análise de dados públicos.

O levantamento baseado em pedidos de informação foi realizado consultando três órgãos federais e dez estados. Foram analisadas respostas do governo federal – Ministério do Meio Ambiente, ICMBio e IBAMA – além de órgãos estaduais da Bahia, Ceará, Distrito Federal, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais, São Paulo, Rio Grande do Sul e Tocantins. Agora, o relatório, assim como as respostas dos órgãos, está disponível para consulta pública e pode ser utilizado por jornalistas, pesquisadores e organizações interessadas no tema.

O que os dados mostram?
Órgãos ambientais federais não monitoram os afogamentos. O resumo do que disseram via LAI:

  • O Ministério do Meio Ambiente (MMA) reconhece a relevância da informação, mas admite que não realiza controle estatístico e não tem previsão para implementar um sistema de monitoramento.
  • O ICMBio confirma que não possui dados compilados sobre óbitos de animais em canais de irrigação, mas prevê incluir o tema no Plano de Ação Nacional para a Conservação dos Canídeos Silvestres (PAN Canídeos), com início previsto para 2025.
  • O IBAMA não possui protocolos para fiscalizar esses eventos e apenas coleta informações por meio de denúncias.

Em outras palavras, na esfera federal, a única iniciativa em andamento identificada no levantamento é o PAN Canídeos do ICMBio, que ainda está em fase de planejamento. Fora isso, o monitoramento depende exclusivamente de denúncias individuais, dificultando uma visão ampla do problema. Ela se destaca como a única iniciativa planejada e com prazo definido para mitigar os impactos de canais de irrigação sobre a fauna.

A maior parte dos estados pesquisados apresentou respostas similares. Em outras palavras, também não monitoram o problema. Em geral, os órgãos ambientais estaduais responderam que:

  • Não realizam controle estatístico de óbitos de fauna em canais de irrigação;
  • Não possuem protocolos de fiscalização para analisar essas ocorrências;
  • Não compartilham informações com outros órgãos ambientais;
  • Redirecionam a responsabilidade para outros setores.

A ausência de dados oficiais impede qualquer tentativa de dimensionar o impacto dos canais de irrigação sobre a fauna silvestre e compromete a adoção de medidas preventivas.

Acesse o levantamento

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