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Marginal Tietê lidera casos de depredação de radares da CET

Marginal Tietê lidera casos de depredação de radares da CET

Poste sem os radares de monitoramento de infrações de trânsito em trecho da avenida General Edgar Facó, próximo à marginal Tietê, na zona norte. Foto: Léo Arcoverde/Fiquem Sabendo

Com 11 ocorrências de radares da CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) de São Paulo vandalizados entre janeiro e abril deste ano, a marginal Tietê, via mais movimentada da capital paulista, lidera com folga a estatística de casos de danificação de equipamentos de monitoramento de infrações de trânsito na cidade.

A segunda posição é divida pelas avenidas Jacu-Pêssego (interligação do trecho leste do Rodoanel com a rodovia Ayrton Senna), na zona leste, e Direitos Humanos, na zona norte, com cinco casos cada uma.

É o que aponta levantamento inédito feito pelo Fiquem Sabendo com base em dados da CET obtidos por meio da Lei Federa nº 12.527/2011 (Lei de Acesso à Informação).

De acordo com as informações disponibilizadas pela empresa, 34 vias da cidade registraram um total de 82 casos de radares danificados por vândalos entre janeiro e abril _18 delas registraram duas ou mais ocorrências. (Veja, no infográfico abaixo, o detalhamento dessas informações.)

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A cidade de São Paulo vive uma onda de vandalismo contra os radares da CET: entre janeiro e abril de 2015 e de 2016, houve um aumento de 67% dessas ocorrências _de 49 para 82 casos.

Segundo a CET, na maioria dos casos, os vândalos picham a lente do radar ou quebram a estrutura metálica em volta da lente (leia mais abaixo).

O crescimento dos casos de vandalismo se dá ao mesmo tempo em que a prefeitura amplia o número de radares na cidade. De 2014 para cá, a quantidade de equipamentos de monitoramento da CET instalados nas ruas e avenidas da capital paulista aumentou de 601 para 823, o que equivale a um aumento de 37% no período.

É uma mistura de revolta e impunidade, avalia especialista

Para o tenente-coronel da Polícia Militar da reserva e especialista em segurança Diógenes Lucca, o aumento dos casos de vandalismo decorre de uma série de fatores. “De um lado, há a revolta das pessoas com a implantação de medidas por parte da prefeitura sem que houvesse um diálogo prévio com a sociedade, como a redução do limite de velocidade permitida nas avenidas. De outro lado, há o sentimento de impunidade de quem parte para o ato de vandalismo.”

De acordo com ele, a ineficiência da prefeitura em adotar medidas que tornariam a cidade menos degradada “aumenta a revolta das pessoas”. “Elas veem radares de última geração serem instalados e, ao mesmo tempo, são obrigadas a enfrentar ruas esburacadas, sem iluminação e uma série de outros problemas. Não que isso justifique o ato de vandalismo”, diz.

Para inibir a ação dos vândalos, Lucca diz ser necessária uma integração maior entre a Polícia Militar e a CET. “São dois órgãos que conversam muito pouco. Em nível estratégico, muita coisa poderia ser feita para ajudar a coibir esse tipo de situação.”

CET diz fazer ‘contato permanente’ com Secretaria da Segurança

A CET disse por meio de nota enviada por sua assessoria de imprensa que “faz contato permanente com a Secretaria da Segurança Pública” sobre os casos de vandalismo contra os radares de monitoramento de infrações de trânsito instalados na cidade.

Leia, abaixo, a íntegra da nota que a empresa enviou à reportagem:

“Informamos que a Companhia faz contato permanente com a Secretaria de Segurança Pública no Estado de São Paulo relatando as ocorrências e solicitando apoio do policiamento nos pontos/locais de fiscalização. Além disso, conforme Termo de Referência, sempre que ocorrer esse tipo de incidente, os consórcios devem registrar Boletins de Ocorrência junto à autoridade policial competente. Ressaltamos que em caso de vandalismo, a CET não arca com ônus dos equipamentos inoperantes. De acordo com o Termo de Referência e contratação dos serviços, cabe aos consórcios a reposição dos equipamentos sem custos adicionais.  Os radares sofrem com pichações nas lentes das câmeras e quebra das bases dos equipamentos estáticos e fixos, respectivamente.”

Policiamento foi reforçado, afirma governo do Estado

Procurada, a Secretaria de Estado da Segurança Pública disse também por meio de nota que a Polícia Militar recebeu em dezembro de 2014 um ofício da Secretaria Municipal de Transportes noticiando casos de vandalismos contra equipamentos de fiscalização eletrônica de velocidade. De acordo com a pasta, “não houve [o encaminhamento de] novos ofícios”. “O policiamento nos locais onde estão instalados esses equipamentos foi intensificado, por meio dos Programas de Força Tática, ROCAM e Radiopatrulhamento.”

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