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Crescem panes com paralisação total de linhas da CPTM

Crescem panes com paralisação total de linhas da CPTM

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, participa de solenidade de entrega de estação em Ferraz de Vasconcelos, na Grande São Paulo. Foto: Eduardo Saraiva/A2img (26/08/2015)

Entre janeiro de 2015 e janeiro de 2016, o número de panes nas linhas da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) cresceu 16% (de 38 para 44) na comparação com os 13 meses anteriores (de dezembro de 2013 a dezembro de 2014).

É o que aponta levantamento feito pelo Fiquem Sabendo com base em dados da CPTM obtidos por meio da Lei Federal nº 12.527/2011 (Lei de Acesso à Informação).

A reportagem tabulou os números disponíveis de falhas que provocaram total interrupção da circulação dos trens, em determinado trecho, nas seis linhas da CPTM existentes na Grande São Paulo, de janeiro de 2011 para cá.

De acordo com esses dados, o ano de 2015 registrou 39 panes. Trata-se do maior número registrado desde 2012.

Em relação a 2014, quando houve 36 panes, foi registrado um aumento de 8%. (Veja o detalhamento desses dados no infográfico abaixo.)

Crescem panes com paralisação total de linhas da CPTM

Falhas técnicas no sistema caíram; panes provocadas por agentes externos cresceram

O número de panes provocadas por falha interna da CPTM, como um problema técnico no seu sistema, caiu 9% (de 22 para 20) entre 2014 e 2015.

Já as panes provocadas pelo que a CPTM chama de causas externas, como alagamento e interrupção no fornecimento de energia pela concessionária AES Eletropaulo, por exemplo, cresceram 36% (de 14 para 19) no período.

Esses números são os que constam das planilhas enviadas pela CPTM à reportagem em resposta ao pedido de informações feito por meio da Lei de Acesso.

Os dados que a empresa encaminhou à reportagem por meio de sua assessoria de imprensa, quando questionada sobre esses números, são um pouco diferentes (leia mais abaixo.)

Metrô também registrou recorde de falhas em 2015

Reportagem do Fiquem Sabendo publicada no dia 23 mostrou que o metrô de São Paulo contabilizou em 2015 o maior número de panes dos últimos cinco anos. Foram 73 falhas.

Em relação a 2011, quando houve 58 panes, as falhas cresceram 27%.

Por que isso é importante?

A Lei nº 12.587/2012, que institui as diretrizes da Política Nacional de Mobilidade Urbana, define, no seu art. 5º, inciso IV, como um dos princípios do transporte público “a eficiência, a eficácia e a efetividade” de quem presta esse serviço.

Essa mesma lei diz, no seu art. 14, inciso I, que é direito do usuário do Sistema Nacional de Mobilidade Urbana “receber o serviço adequado”.

Segundo essa lei, o Sistema Nacional de Mobilidade Urbana “é o conjunto organizado e coordenado dos modos de transporte, de serviços e de infraestruturas que garante os deslocamentos de pessoas e cargas no território do Município”.

Problemas técnicos caíram 8% e sistema passa por modernização, afirma empresa

A CPTM disse por meio da nota enviada por sua assessoria de imprensa que o ano de 2015 registrou uma queda de 8% (de 23 apara 21) do número de panes causadas por falhas técnicas no sistema.

Leia, abaixo, a íntegra da nota que a empresa enviou à reportagem:

“Em 2014, a CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) registrou 36 ocorrências, sendo 13 provocadas por agentes externos e 23 por falhas técnicas no sistema. Já em 2015, foram 19 ocorrências provocadas por fatores externos e 21 por falhas no sistema. Portanto, na verdade, houve uma queda de 8% nas ocorrências em 2015, comparadas ao ano de 2014, se consideradas apenas as panes causadas por falha técnica.

No balanço total das paralisações, o aumento das ocorrências foi provocado pelo maior número de interferências externos na faixa ferroviária.

É importante lembrar que a ferrovia é um sistema que opera a céu aberto, com rede aérea de energia (postes, fios, pantógrafos nos trens ligados a essa rede para alimentação elétrica das composições, dentre outros). Portanto, está sujeita às interferências externas provocadas por fenômenos naturais, como inundações na via por excesso de chuvas, descargas elétricas atmosféricas, vandalismos em equipamentos ou sistemas ferroviários, manifestações públicas, queda de árvores etc. Para que haja o menor impacto possível aos usuários, há equipes de manutenção atuando durante 24 horas.

A CPTM está trabalhando para modernizar o seu sistema. Estão sendo substituídos sistemas de sinalização, telecomunicação, energia, rede aérea, via permanente, além da reforma das estações e renovação da frota de trens. A partir deste ano, a Companhia começou a receber os primeiros dos 65 novos trens adquiridos, além das 105 novas composições já em operação. Além disso, a empresa busca soluções rápidas que reduzam ao mínimo as ocorrências que interferem na operação dos trens.”

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