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Cachorro abrigado em sede de ONG protetora de animais em Ribeirão Pires, no ABC paulista. Foto: Silvia Faller/Ong Clube dos Vira-Latas (08/02/2014)
Para Glaucia Lombardi, fundadora do projeto Cão Sem Fome, ONG dedicada à arrecadação de alimentos para cães em situação de risco, a estatística reflete uma maior conscientização da população quanto à importância de se denunciar casos de maus tratos a animais, e não exatamente uma explosão real do número de ocorrências dessa natureza. “Os maus-tratos sempre existiram, só que antes não havia uma consciência das pessoas em denunciar, apurar e divulgar os casos. Eles eram uma contabilidade esquecida que, quem atua na proteção animal, sabe da existência, mas não chega à maioria da população”, afirma.
O projeto dirigido por Glaucia apoia protetores independentes, mas não resgata animais em situação de risco. Além do fornecimento de ração, o auxílio da ONG abrange cuidados com a saúde dos cães.
Ela conta que há casos em que o primeiro contato da equipe da ONG com os animais se dá após os cães terem vagado famintos pelas ruas, fracos e doentes, depois de terem sido abandonados pelos próprios donos.
De acordo com Glaucia, há ainda casos em que os animais são torturados diariamente dentro de casa. Entre as práticas de maus-tratos comuns, diz ele, estão queimaduras com cigarro ou com água quente, por exemplo. Ela afirma ter percebido um crescimento de um certo tipo de maus-tratos no qual há a privação da alimentação ao animal, com o objetivo de causar sua morte. “É um crime difícil de se combater, porque, se esse animal ficar amarrado sem comida nos fundos de uma casa e não houver uma denúncia, quem vai saber [da ocorrência do crime]?”, diz.
Segundo Glaucia, há cerca de três anos, uma cachorra SRD (sem raça definida) chegou à beira da morte por inanição ao projeto. Seu dono parou de alimentá-la depois de ganhar um cão de raça. Quando perceberam isso, vizinhos pediram ajuda e uma protetora foi na casa resgatar o animal. Ela teve de ficar internada por oito meses para se reabilitar e até hoje só consegue comer alimentos pastosos.
Glaucia lamenta que a impunidade desses crimes contribua para gerar novos casos de maus-tratos e até ameaças para aqueles que se empenham em proteger os animais. Ela conta que não são raras situações em que protetores independentes são xingados e até agredidos por tentarem salvar cães em situações como essa.
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