A Controladoria-Geral da União (CGU) anunciou hoje uma série de medidas para melhorar a Lei de Acesso à Informação no Brasil. Muitas delas seguem as recomendações apresentadas por nós à equipe de transição no início do ano.
Segue as atualizações e as respectivas explicações:

- Quem entrar em prédio público não vai ter o nome protegido, salvo em algumas exceções. Mostramos aqui que o governo Bolsonaro ampliou expressivamente as negativas de acesso a quem visitou o ex-presidente.

- Nada muda sobre as visitas às residências de presidentes e vice-presidentes - a informação seguirá sendo sigilosa.

- Quando um militar sofrer algum processo disciplinar, o documento será público. Melhoria inspirada no caso do general Pazuello, que conseguiu temporariamente sigilo sobre o processo que enfrentou por apoiar Bolsonaro em uma manifestação política - o que é vetado aos militares.

- Os gastos do cartão corporativo só ficaram em sigilo porque um artigo da Lei de Acesso diz que informações que ameacem a segurança de presidentes ficam protegidas até o fim do mandato. Essa restrição deverá, em tese, ser menos aplicada agora, embora o enunciado seja genérico.

- Durante a pandemia, o Exército tentou colocar em sigilo as tratativas de compra de insumos para fabricar cloroquina. Agora o governo deixou claro que compras, mesmo que nas Forças Armadas, precisam ter ampla transparência.

- Nós entregamos à equipe de transição do governo uma lista de documentos cujo prazo de sigilo expirou. Essa nova regra garante que não exista mais o sigilo por tempo indeterminado: acabou o prazo, precisa divulgar.

- É comum que alguns órgãos aleguem que currículos de servidores devem ser protegidos por ser informação pessoal. Este enunciado garante que isso não mais acontecerá. Vejam mais neste verbete da WikiLAI.

- Esse aqui traz um enorme potencial para identificar irregularidades: até a prova oral para aprovação em concurso público será passível de transparência.

- Obter telegramas oficiais sempre é um desafio. Agora a regra pode ficar um pouco mais clara. Já produzimos um tutorial de como obtê-los. Acesse aqui.

- Se alguém recebeu dinheiro público, precisa haver transparência. Mas o governo precisa esclarecer se essa regra vai valer para contratações que afetariam o sigilo estabelecido em contratos. Caso da publicidade feita pelo cantor Gusttavo Lima com a Caixa, por exemplo, ainda em sigilo.

- O último anunciado parece abstrato, mas é muito importante. Há muitos casos em que a informação só esta disponível em papel (caso do cartão corporativo) ou demandaria muito trabalho dos servidores para organizar e publicar. Mas isso não dará ao órgão o direito de negar o pedido.

- Este enunciado é possivelmente o mais importante, pois dificulta o chamado "sigilo dos 100 anos": mesmo que haja informações pessoais em um documento, os órgãos deverão tarjar a informação e dar acesso ao restante.