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Ministério da Saúde promoveu apenas um tweet sobre vacinação contra a Covid

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Em plena pandemia de Covid-19, Ministério da Saúde privilegia publicidade de tweets sobre vacinação contra gripe, sarampo, poliomielite e febre amarela

Entre fevereiro de 2020 e abril deste ano, o Ministério da Saúde promoveu 85 tweets, sendo que 34 deles são relacionados a campanhas de vacinação. Ou seja, a pasta pagou ao Twitter para que esses conteúdos chegassem a mais pessoas. Mas apenas uma dessas mensagens era sobre a vacina contra a Covid-19. Para efeito de comparação, no mesmo período a pasta impulsionou 14 postagens sobre o imunizante da gripe. Também fez 10 tweets pagos sobre a imunização contra o sarampo. Além disso, foram três relacionados à campanha contra a poliomielite e dois sobre a febre amarela.

Fiquem Sabendo teve acesso aos dados estatísticos da página de Twitter do Ministério da Saúde por meio de um pedido de Lei de Acesso à Informação (protocolo 25072.012692/2021-59). Ao todo, são 4896 tweets publicados entre 1º de fevereiro de 2020 e 31 de abril deste ano. Além das postagens do perfil, também é possível conferir as taxas de engajamento das publicações e a quantidade de tweets pagos.

A pedido da Fiquem Sabendo, a jornalista Rafaela Mazurechen Sinderski, doutoranda em Ciência Política pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), fez uma análise dos textos dos 4896 tweets do Ministério da Saúde. Para isso, ela usou um software chamado Iramuteq. 

Como se vê, ‘covid’, ‘pandemia’ e ‘coronavírus’ não estão entre os termos mais usados. Segundo Sinderski, as palavras em vermelho são as mais relevantes. Elas estão presentes em 39,8% do material analisado. “Seus termos estatisticamente relevantes indicam que, nesses tweets, o perfil do Ministério da Saúde tratou de doenças mais ‘banais’, como gripe e sarampo, seus sintomas, tratamentos e os cuidados para prevenção”, explica a pesquisadora, que estuda análise do discurso no doutorado. 

Já os termos em verde estão em 31,4% das publicações. “Eles abordam as consequências da pandemia de Covid-19 sobre o sistema público de saúde. O agravamento da crise sanitária em Manaus, com o episódio da falta de respiradores, faz parte dos assuntos discutidos nesse cluster“, detalha. Por fim, a jornalista afirma que o lado “político” da pandemia foi o que se destacou em 28,8% das postagens. “Termos como ‘ministro’, ‘presidente’, ‘reunião’ e ‘ao vivo’ indicam uma postura mais institucional por parte do perfil.”

O Ministério da Saúde publicou pelo menos 62 tweets sobre cloroquina e o chamado tratamento precoce. Em outras edições, a Fiquem Sabendo já mostrou para onde foram 7,4 milhões de comprimidos de cloroquina distribuídos pelo governo federal.  Revelamos também que o Itamaraty intercedeu nas negociações para importação de insumos da Índia e ainda escondeu telegramas quando solicitados via LAI – material que foi usado por parlamentares na CPI da Covid e rendeu manchete no Estadão.

Como solicitar essas informações

Para ter acesso aos dados, pedimos o relatório estatístico completo do perfil do órgão no Twitter, indicando o período desejado. Também informamos o passo a passo para a elaboração dos relatórios solicitados: 

1 – Acessar a conta no Twitter; 2 – No menu à esquerda, selecionar a opção ‘Mais’ (círculo com três pontos no interior); 3 – Selecionar a opção ‘Estatísticas’; 4 – No menu superior, selecionar a opção ‘Tweets’; 5 – No canto superior direito, escolher uma opção de mês por vez (February 2020, March 2020 etc.); 6 – Após a seleção individual de cada um dos meses, selecionar a opção ‘Exportar dados’ e a subopção ‘By Tweet’. Serão, portanto, exportados quinze arquivos diferentes, entre fevereiro de 2020 e abril de 2021, com os dados organizados por tweet (uma linha para cada tweet). Com base nos critérios de economicidade e eficiência, solicitamos que os arquivos produzidos sejam enviados na forma como foram extraídos do sistema (formato CSV), não sendo necessária qualquer conversão antes da realização do envio. Por fim, informamos que, com base em simulação realizada em nossa conta pessoal, estimamos que o tempo necessário para a extração dos dados acima descritos será de aproximadamente 15 minutos. 

A íntegra da solicitação pode ser acessada aqui.

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Este conteúdo saiu primeiro na edição #62 da newsletter da Fiquem Sabendo, a Don’t LAI to me. A newsletter é gratuita e enviada quinzenalmente, às segundas-feiras. Clique aqui e inscreva-se para receber nossas descobertas em primeira mão também.