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Cai número de passageiros na CPTM; governo culpa crise econômica

Cai número de passageiros na CPTM; governo culpa crise econômica

Interior de trem da linha 1-coral da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos); sistema registrou queda no número de passageiros. Foto: Edson Lopes Jr/A2 FOTOGRAFIA (04/11/2014)

O ano de 2015 registrou queda no número de passageiros transportados pelas seis linhas da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) na comparação com 2014. É a primeira vez que isso acontece desde 2012.

Entre um ano e outro, houve uma diferença de 1,4 milhão de usuários transportados. Em números absolutos, o recuou foi de 832,8 milhões de para 831,4 milhões de passageiros que usaram a rede dos trens metropolitanos.

É o que aponta levantamento inédito feito pelo Fiquem Sabendo com base em dados da CPTM obtidos por meio da Lei Federal nº 12.527/2011 (Lei de Acesso à Informação).

Se, em termos percentuais, a queda significa uma leve oscilação negativa anual (0,17%), quanto à tendência da quantidade de passageiros transportados anualmente, ela representa a interrupção de uma série de três altas seguidas.

Entre 2013 e 2014, por exemplo, o número de passageiros transportados pelas seis linhas da CPTM saltou 4,71% (de 795,3 milhões para 831,4 milhões). Isso significa uma diferença de 37,5 milhões de passageiros.

De acordo com os números disponibilizados pela empresa, em 2011, a CPTM transportou 18,73% de passageiros a menos do que em 2015. (Veja o detalhamento desses dados no infográfico abaixo.)

Cai número de passageiros na CPTM; governo culpa crise econômica

Linha 11-coral e 7-rubi, que servem cidades-dormitórios, puxaram queda

Quatro das seis linhas da CPTM registraram queda no número de passageiros transportados. Foram elas: 7-rubi, 10-turquesa, 11-coral e 12-safira.

As outras duas linhas da rede de trens metropolitanos (8-diamante e 9-esmeralda) tiveram aumento na quantidade de usuários no ano passado.

As maiores quedas se deram nas linhas 11-coral (de 213 milhões para 210,6 milhões de passageiros) e na linha 7-rubi (de 134,2 milhões para 133,3 milhões de usuários).

Essas duas linhas têm por semelhança o fato de interligarem várias cidades-dormitórios à capital paulista, como, no caso da linha 11, Ferraz de Vasconcelos, Suzano e Poá, e na linha 7-rubi, Franco da Rocha e Francisco Morato.

Com o aumento do desemprego, nos últimos meses, o fluxo de trabalhadores entre essas cidades e a capital paulista diminuiu.

Por que isso é importante?

A Lei nº 12.587/2012, que institui as diretrizes da Política Nacional de Mobilidade Urbana, define, no seu art. 5º, inciso IV, como um dos princípios do transporte público “a eficiência, a eficácia e a efetividade” de quem presta esse serviço.

Essa mesma lei diz, no seu art. 14, inciso I, que é direito do usuário do Sistema Nacional de Mobilidade Urbana “receber o serviço adequado”.

Segundo essa lei, o Sistema Nacional de Mobilidade Urbana “é o conjunto organizado e coordenado dos modos de transporte, de serviços e de infraestruturas que garante os deslocamentos de pessoas e cargas no território do Município”.

Queda está diretamente relacionada à retração econômica vivida no país, afirma secretaria

A STM (Secretaria de Estado dos Transportes Metropolitanos), responsável pela CPTM, disse por meio de nota enviada por sua assessoria de imprensa que a redução de passageiras está diretamente relacionada à crise econômica viviva pelo país.

Leia, abaixo, a íntegra da nota que a secretaria enviou à reportagem.

“A Secretaria dos Transportes Metropolitanos (STM) informa que, de acordo com pesquisas já realizadas, a maioria dos ‘Motivos de Viagem’ realizadas por usuários do trem metropolitano ocorre por trabalho, negócios ou retorno à residência. Portanto, em 2015, a discreta redução de passageiros transportados pela CPTM está diretamente relacionada à retração da atividade econômica vivida pelo país.”

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