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10 linhas de ônibus com mais reclamações no 2º trimestre em São Paulo

10 linhas com mais reclamações em São Paulo

Ônibus da linha 574J/10 (Metrô Conceição/Terminal Vila Carrão), que registrou 75 reclamações entre abril e junho. Foto: Léo Arcoverde/Fiquem Sabendo

A linha de ônibus 574J/10 (Metrô Conceição/Terminal Vila Carrão) registrou 75 reclamações de passageiros entre abril e junho deste ano (seis por semana, em média). Isso fez dela a campeã de queixas feitas diretamente à SPTrans (empresa municipal de transporte) no segundo trimestre.

É o que aponta levantamento feito pelo Fiquem Sabendo com base em dados da empresa obtidos por meio da Lei Federal nº 12.527/2011 (Lei de Acesso à Informação) e informações complementares fornecidas pela assessoria de imprensa do órgão.

De acordo com os dados oficiais, a linha 9032/10 (Jardim Damasceno/Terminal Vila Nova Cachoeirinha) foi a que registrou o segundo maior número de reclamações de passageiros entre abril e junho. Foram 54 queixas.

Já a linha 917H/10 (Terminal Pirituba/Metrô Vila Mariana), campeã de reclamações no primeiro trimestre deste ano, figura agora na terceira colocação, com 53 reclamações. (Veja no infográfico abaixo o ranking com as 10 linhas mais criticadas por passageiros durante o segundo trimestre deste ano.)

10 linhas com mais reclamações em São Paulo

Mais da metade das piores linhas circulam na zona leste

Seis das dez linhas com mais reclamações no segundo trimestre passam por bairros da zona leste da capital paulista, segundo a SPTrans.

Além de serem linhas que passam por estações de metrô, como a 702C (Jardim Bonfiglioli/Metrô Belém), outra característica delas é o fato de percorrerem itinerários longos, que incluem avenidas frequentemente congestionadas durante os horários de pico.

Motoristas são mal-educados, reclama passageiro

Morador do Jardim Oriental, zona sul de São Paulo, o pedreiro João Martins Feitosa, 70 anos, usuário da linha de ônibus 574J/10 (Metrô Conceição/Terminal Vila Carrão), reclama da falta de educação de parte dos motoristas da linha.

De acordo com ele, há cerca de 20 dias, ao tomar um ônibus com a mulher, a dona de casa Neide Maria da Silva Feitosa, 67 anos, ele não conseguiu subir no ônibus porque o motorista fechou a porta abruptamente, após a esposa ter entrado no veículo. “Como ele não me deixou subir, minha mulher desceu no primeiro ponto e voltou para cá. O motorista poderia ter me esperado.”

Já a comerciante Angélica Duarte, 37 anos, utilizou a linha pela primeira vez no início da tarde desta terça-feira (4). Ao chegar ao ponto inicial, no terminal Conceição, ela, o filho e os pais subiram em um coletivo que estava parado. Pouco depois, ela viu um outro coletivo dessa linha partir sem que o motorista os avisasse que o veículo em que estavam sairia depois. “Não custava nada ele ter avisado. Ele foi embora e a gente tem de esperar pelo próximo coletivo”, reclama.

Segundo um funcionário da linha, que pediu para não ser identificado, a circulação dos ônibus da 574J/10 tem sido monitorada, nas últimas semanas, pela viação Via Sul e pela SPTrans por causa do excesso de reclamações feitas pelos passageiros. “É uma linha que faz um trajeto longo, que chega a levar duas horas e meia durante o horário de pico. Como alguns ônibus ficam presos no trânsito, é comum formar comboio, que é quando um coletivo fica atrás do outro”, diz.

Por que isso é importante?

A Lei Federal nº 12.587/2012, que instituiu as diretrizes da Política Nacional de Mobilidade Urbana, define, no seu art. 5º, inciso IV, como um dos princípios do transporte público “a eficiência, a eficácia e a efetividade” de quem presta esse serviço.

Essa mesma lei prevê, no seu art. 14, inciso I, que é direito do usuário do Sistema Nacional de Mobilidade Urbana “receber o serviço adequado”.

De acordo com essa lei, o Sistema Nacional de Mobilidade Urbana “é o conjunto organizado e coordenado dos modos de transporte, de serviços e de infraestruturas que garante os deslocamentos de pessoas e cargas no território do Município”. Isso inclui, por exemplo, os ônibus que circulam na capital paulista.

Linha de Pirituba lidera ranking de queixas na cidade de SP

Ônibus da linha 917H/10 (Terminal Pirituba/Metrô Vila Mariana), na avenida Paulista (região central de SP). Foto: Léo Arcoverde/Fiquem Sabendo

Reclamações caíram 36% no primeiro semestre, afirma SPTrans

A SPTrans disse em nota que “uma série de medidas visando a melhoria no transporte público estão sendo implantadas na cidade e elas têm apresentado resultados positivos, perceptíveis pela queda de 36,3% nas reclamações entre janeiro e junho de 2015, comparando com o mesmo período de 2014”. “Vale destacar que, entre 2013 e 2014, já havia sido constatada redução no número de queixas, passando de 120.107 para 67.488, ou seja, 43,8%.”

A licitação do novo sistema municipal de transporte público levará em consideração uma série de melhorias aos usuários, segundo a empresa. “Por exemplo, para a remuneração será considerada a qualidade do serviço realizado, exigência de ônibus com ar-condicionado controle de todas as linhas em tempo real. Com a nova organização das linhas, prevista no edital, a oferta de lugares será ampliada e estão planejadas 24% a mais de viagens, comparando com o cenário atual.”

“Uma das principais medidas desta gestão tem sido a implantação de faixas exclusivas, que aumentam a velocidade média dos coletivos e diminuem o tempo de viagem dos passageiros. A cidade conta, atualmente, com 480,3 km de faixas. Além disso, a SPTrans está realizando estudos para implantação de uma nova rede de transporte público, formada por cinco redes complementares, divididas da seguinte forma: Rede da Madrugada (já implantada), Rede do Domingo, Rede dos Dias Úteis e do Sábado e também Linhas-Reforço da Rede dos Dias Úteis nos Horários de Pico, que também levarão em consideração as características viárias de cada região.”

Ainda segundo a SPTrans, a participação dos usuários na fiscalização do sistema é de grande importância. “Todas as reclamações recebidas são utilizadas para o aprimoramento do atendimento e do sistema de transportes como um todo. Os usuários podem registrar suas reclamações e sugestões ao sistema por meio do site www.sptrans.com.br/SAC e do telefone 156.”

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