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Desemprego faz venda de bilhete disparar no metrô de São Paulo

Desemprego faz venda do bilhete do metrô disparar em São Paulo

Passageiros enfrentam longa fila para comprar bilhete na estação Sé do metrô, no centro de São Paulo. Foto: Paulo Pinto/Fotos Públicas (16/02/2016)

Com a economia brasileira em recessão há mais de um ano e meio, é cada vez maior o número de desempregados no país. Consequentemente, também tem caído a quantidade de pessoas detentoras de benefícios ligados ao emprego, como o vale-transporte.

A queda do número de paulistanos recarregando o bilhete único mensalmente provocou, por sua vez, o aumento das compras do bilhete unitário nos guichês das estações do metrô de São Paulo.

Na comparação entre os acumulados de janeiro a abril de 2015 e deste ano, a arrecadação das bilheterias das estações com a venda do bilhete unitário aumentou 16,2% _de R$ 123,6 milhões para 147,3 milhões.

É o que aponta levantamento inédito feito pelo Fiquem Sabendo com base em dados do Metrô obtidos por meio da Lei Federal nº 12.527/2011 (Lei de Acesso à Informação).

Em janeiro deste ano, a tarifa do transporte público em São Paulo teve reajuste de 8,6% (de R$ 3,50 para R$ 3,80).

O que isso quer dizer? Que o aumento da arrecadação do metrô por meio da venda do bilhete unitário nas estações se deu em uma proporção quase duas vezes maior que a do reajuste da tarifa. (Veja, no infográfico abaixo, a representação gráfica dessas informações.)

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Falha nos equipamentos de recarga do bilhete único também contribuíram para alta

A paralisação das máquinas de recarga do bilhete único nas estações do metrô, problema recorrente entre dezembro de 2015 e fevereiro deste ano, foi outro fator que influenciou o aumento da compra do bilhete unitário na empresa de transporte metropolitano.

No entanto, durante os meses de março e abril, com o serviço de recarga já restabelecido, as vendas de bilhetes continuaram altas em relação ao mesmo período de 2015.

Isso indica que o fator preponderante para que mais gente esteja comprando bilhetes nas estações é o fato de muitos passageiros não terem mais a possibilidade de recarregar o seu bilhete único.

Emissão de bilhete para desempregados cresce 69% em dois anos, diz metrô

O metrô informou por meio de nota ter registrado “um aumento de 69% na média mensal de emissão de bilhetes para os desempregados entre 2014 e 2016”.

De acordo com a empresa, “com a diminuição do poder de compra, as pessoas passaram a adquirir bilhetes unitários ao invés de carregar os cartões de bilhete único”.

Por que isso é importante?

O metrô de São Paulo conta com uma rede de 80,6 km.

A Lei nº 12.587/2012, que institui as diretrizes da Política Nacional de Mobilidade Urbana, define, no seu art. 5º, inciso IV, como um dos princípios do transporte público “a eficiência, a eficácia e a efetividade” de quem presta esse serviço.

Essa mesma lei diz, no seu art. 14, inciso I, que é direito do usuário do Sistema Nacional de Mobilidade Urbana “receber o serviço adequado”.

Segundo essa lei, o Sistema Nacional de Mobilidade Urbana “é o conjunto organizado e coordenado dos modos de transporte, de serviços e de infraestruturas que garante os deslocamentos de pessoas e cargas no território do Município”. Isso inclui o Metrô de São Paulo.

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